quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cientistas americanos criam célula com genoma sintético

Cientistas americanos dizem ter desenvolvido a primeira célula controlada por um genoma sintético.

Os especialistas do J. Craig Venter Institute, com sede nos Estados de Maryland e Califórnia, dizem esperar que a técnica possa criar bactérias programadas para resolver problemas ambientais e energéticos, entre outros fins.

O estudo será publicado nesta quinta-feira na edição online da revista científica Science. Para alguns especialistas, ele representa o início de uma nova era na biologia sintética e, possivelmente, na biotecnologia.

A equipe de pesquisadores, liderada por Craig Venter, já havia conseguido sintetizar quimicamente o genoma de uma bactéria. Eles também haviam feito um transplante de genoma de uma bactéria para outra.

Agora, os especialistas juntaram as duas técnicas para criar o que chamaram de "célula sintética", embora apenas o genoma da célula seja sintético - ou seja, a célula que recebe o genoma é uma célula natural, não sintetizada pelo homem.

"Esta é a primeira célula sintética já criada. Nós dizemos que ela é sintética porque foi obtida a partir de um cromossomo sintético, feito com quatro substâncias químicas em um sintetizador químico, seguindo informações de um computador", disse Venter.

"Isto se torna um instrumento poderoso para que possamos tentar determinar o que queremos que a biologia faça. Temos uma ampla gama de aplicações (em mente)", disse.

Os pesquisadores planejam, por exemplo, criar algas que absorvam dióxido de carbono e criem novos hidrocarbonetos. Eles também estão procurando formas de acelerar a fabricação de vacinas.

Outros possíveis usos da técnica seriam a criação de novas substâncias químicas, ingredientes para alimentos e métodos para limpeza de água, segundo Venter.

Estudo

No experimento, os pesquisadores sintetizaram o genoma da bactéria M. mycoides, adicionando a ele sequências de DNA como "marcas d'água" para que a bactéria pudesse ser distinguida das naturais (não sintéticas).

Como as máquinas sintetizadoras atuais só são capazes de juntar sequências relativamente curtas de letras de DNA de cada vez, os pesquisadores inseriram as sequências mais curtas em células de fermento. As enzimas de correção de DNA presentes no fermento juntaram as sequências.

Depois, as sequências de tamanho médio foram inseridas em bactérias E. coli, antes de serem transferidas de volta para o fermento.

Após três rodadas deste processo, os pesquisadores conseguiram produzir um genoma com mais de um milhão de pares de bases de comprimento.

Concluída essa fase, os cientistas implantaram o genoma sintético da bactéria M. mycoides em outro tipo de bactéria, a Myoplasma capricolum.

O novo genoma assumiu o controle das células receptoras.

Embora 14 genes tenham sido apagados ou alterados na bactéria transplantada, as células apresentaram a aparência de bactérias M. Mycoides normais e produziram apenas proteínas M. mycoides, segundo os autores do estudo.

Repercussão

Em entrevista à BBC, o especialista em biologia sintética Paul Freeman, codiretor do EPSRC Centre for Synthetic Biology do Imperial College, em Londres, disse que o estudo de Venter e sua equipe pode marcar o início de uma nova era na biotecnologia.

"Eles demonstraram que o DNA sintético pode assumir o controle e operar as funções da nova célula receptora em termos de replicação e crescimento", disse Freeman.

Freeman lembra que a célula receptora é uma célula natural, não sintética, mas "o que Venter e sua equipe mostraram é que, após o transplante e várias divisões celulares, a célula receptora assumiu algumas das características ou fenótipo do novo genoma nela inserido".

"É um avanço extraordinário, oferecendo uma prova de que, em teoria, é possível que genomas inteiros sejam sintetizados quimicamente, montados e implantados em células receptoras".

"Claro que precisamos ter cautela, já que não temos certeza de que essa abordagem funcionaria em genomas maiores e mais complexos".

"Ainda assim, este avanço representa um marco na nossa capacidade de criar células feitas pelo homem para fins estabelecidos pelo homem", concluiu Freeman.

O estudo de Venter e sua equipe foi financiado pela empresa Synthetic Genomics. Três dos autores e o J. Craig Venter Institute possuem ações da companhia.

O instituto fez pedidos de patente para algumas das técnicas descritas no estudo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: Estadão

quarta-feira, 19 de maio de 2010

AmBev busca trainees para mestre cervejeiro

A AmBev abre na quinta-feira as inscrições para seu programa de trainee industrial que busca preencher vagas nas carreiras de mestre cervejeiro e engenheiro industrial. As incrições serão feitas entre 20 de maio e 20 de junho, só pela internet.

Poderão concorrer às vagas universitários e recém-formados de todo o País dos cursos de engenharia, química, farmácia, agronomia e biologia. Estão aptos a se inscreverem os jovens que concluíram o terceiro grau desde o segundo semestre de 2008 ou os estudantes do último ano.

O salário inicial é de R$ 3.700 mais benefícios como assistência médica, assistência odontológica, seguro de vida, previdência privada, vale refeição, vale transporte e 14º salário, entre outros.

Não há limite de vagas e o treinamento tem a duração de 12 e 18 meses. Uma vez aprovado no processo seletivo, o trainee torna-se imediatamente funcionário da empresa.

A partir do segundo semestre a Ambev volta a abrir vagas para o seu tradicional Programa Trainee, que contou em 2009 com mais de 60 mil inscrições.

As incrições podem ser feitas apenas no site oficial do Programa Trainee Industrial, que estará no ar somente amanhã.

Os internautas ainda encontrarão na página eletrônica blogs de profissionais que iniciaram suas carreiras como trainees na companhia.

Por Jornal da Tarde

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Vigilância Sanitária participa de reavaliação de TAC sobre atividades do farmacêutico

O diretor da Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde (SES), Antônio de Pádua Pombo, participou na manhã desta quinta-feira, 13, de audiência no Ministério Público Federal (MPF), para reavaliar o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que define a responsabilidade técnica e horário dos farmacêuticos nas farmácias privadas e distribuidoras em Sergipe.

A reunião contou com a participação de representantes dos sindicatos de Farmácia, do Comércio Varejista e do Comércio Atacadista de Medicamentos, das Distribuidoras de Medicamentos e da Vigilância Sanitária de Aracaju. Segundo Pádua, o antigo TAC firmado em 2000 trazia que as farmácias e drogarias anteriores ao termo deveriam ter um farmacêutico por seis horas no estabelecimento.

Já as demais, que abriram após o TAC, deveriam cumprir a Lei 5.991/73, que estabelece que todas as farmácias devem ter um farmacêutico durante todo o horário de funcionamento. "Há estabelecimentos que cumprem a lei, mas não são todos. Então, estamos aqui para entrar em acordo, porque o certo é cumprir o que determina a lei", reforçou o diretor da Vigilância Sanitária estadual.

Participante da audiência, o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos de Sergipe, Carlos Batista Dias, afirmou também concordar com a legislação, mas fez uma ressalva. "Aqui no estado não temos farmacêuticos suficientes para ficar nos estabelecimentos durante todo o horário de expediente", argumentou.

Segundo ele, existem 748 unidades privadas, entre as quais, farmácias, drogarias, laboratórios de análises clínicas, hospitais e outros. "Enquanto os profissionais de nível superior em Farmácia são apenas 546. Destes, 441 estão na capital e 105 no interior. E este número é para atender não só as unidades privadas quanto as públicas, que nós não temos nem o total", enfatizou Carlos Dias.

Para Francisco de Assis Feitosa, presidente do Conselho Regional de Farmácia, os números diferem. "Em Sergipe temos 594 farmacêuticos, 469 na capital e 125 no interior. Além do mais, temos dois cursos de Farmácia, um na Universidade Federal de Sergipe [UFS] e outro na Universidade Tiradentes [Unit], que formam vários profissionais por ano", alegou o presidente do CRF.

De acordo com ele, está existindo muito o comércio ilegal de medicamentos e a venda de remédios falsificados. "São medicamentos piratas fabricados na China que estão sendo vendidos nos estabelecimentos. Isso traz um risco enorme à saúde da população, daí a importância de ter um profissional habilitado para evitar a comercialização destes produtos", completou Francisco Feitosa.

Já a presidente do Sindicato dos Farmacêuticos, Maria de Fátima Cardoso Aragão, trouxe a informação de que existem farmacêuticos desempregados em Sergipe. "Temos conhecimento de que há 94 estabelecimentos farmacêuticos irregulares na rede particular de Sergipe. Isso não pode acontecer", ressaltou Maria de Fátima.

Conclusão

Na audiência, presidida pela procuradora Gicelma Nascimento, foi firmado um novo TAC que será enviado para a Câmara Técnica da Procuradoria Geral da União, em Brasília, para ser avaliado e poder entrar em vigor. Ficou também definido que a situação dos farmacêuticos no serviço público será vista em outra reunião marcada para 1º de julho, com o acompanhamento do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), as vigilâncias sanitárias estadual e municipais e o Conselho Regional de Farmácia (CRF).

Para Antônio Pádua, as entidades têm razão nos questionamentos, pois, segundo ele, tanto é insuficiente o número de farmacêuticos no estado, como existem profissionais desempregados. "Para se chegar a um consenso, ficou firmado no TAC que os estabelecimentos anteriores ao ano 2000 podem ter um farmacêutico, no mínimo, por seis horas, desde que estas farmácias e drogarias não tenham feito alteração contratual".

Mas, de acordo com o diretor da Vigilância Sanitária estadual, essa determinação valerá até 31 de março de 2012. "Após esta data, todos deverão ter o profissional disponível, no mínimo, por oito horas, e aquelas farmácias que abrem por 24 horas deverão ter, no mínimo, três farmacêuticos para se revezarem", explicou.

Outros pontos definidos no TAC são: multa de R$ 1.500,00 caso o estabelecimento seja flagrado sem cumprir a determinação; os órgãos fiscalizadores deverão enviar um relatório ao MPF a cada seis meses; toda farmácia e drogaria deve requerer a revalidação anual da licença sanitária nos primeiros 120 dias de cada ano; e cumprir o disposto da RDC 44/09, a qual estabelece que somente produtos relacionados à saúde poderão ser comercializados em farmácias e drogarias.
Fonte: SES

CFT aprova obrigatoriedade de farmacêuticos nas unidades do SUS

A Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara dos Deputados aprovou, no dia 5 de maio de 2010, o Projeto de Lei (PL) 3.752/08, resultado do parecer favorável do Deputado João Dado (PDT-SP), que dispõe sobre a obrigatoriedade da presença de farmacêutico nas unidades de saúde do SUS (Sistema Único de Saúde), na forma do Substitutivo apresentado pelo Deputado Maurício Trindade (PR-BA). O Substitutivo acrescenta ao artigo 15 da Lei 5.991/73 a obrigatoriedade de serviços públicos de saúde que dispensem ou manipulem medicamentos a oferecerem assistência de farmacêutico. O PL segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC). Se aprovado, vai para o Senado.

O Projeto de Lei, de autoria da Deputada Federal Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM), vai ao encontro do que defende o Conselho Federal de Farmácia (CFF), de que a dispensação de medicamentos, no serviços público e particular, deve ser feito exclusivamente por farmacêuticos por questões sanitárias e em acatamento à legislação. O Presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, reconhece o esforço do Ministério da Saúde, Estados e Municípios para ampliar a aquisição de medicamentos. “Mas isso, por si só, não responde à demanda da população. Sem os serviços farmacêuticos, o medicamento representa insegurança para o paciente e maior custo para os cofres públicos”, disse o dirigente.

A Secretária-Geral do CFF, Lérida Vieira, explica que parte da luta do CFF é para que a população possa contar, no SUS, com um local adequado para dispensação e orientação sobre o uso de medicamentos. “É necessário que a população possa contar, no Sistema Único de Saúde (SUS), em todos os Municípios brasileiros, de um local adequado e apropriado, onde possam ser dispensados medicamentos com as informações corretas sobre o seu uso”, disse.

Fonte: CFF

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Farmacêuticos, balconistas e farmacistas.

Alguns proprietários de farmácia possuem um estoque inesgotável de armadilhas para enganar os farmacêuticos. Uma destas é a estupidez de dizer que o farmacêutico tem que ser um bom balconista. E o pior, ainda há farmacêuticos que caem nessas armadilhas. Farmacêutico tem que ser um bom farmacêutico.

Farmacista é a tradução do inglês de farmacêutico. Mas no Brasil o termo farmacista é empregado com um significado diferente. Um bom balconista, que tenha experiência no balcão da farmácia, adquire o status de farmacista, ''neologismo tupiniquim'' com o qual também se auto definem os donos de farmácia. Muitos gerentes de farmácia que se julgam profundos conhecedores sobre medicamentos também se intitulam farmacistas. O sonho de todo farmacista é ser um verdadeiro farmacêutico. Muitos gerentes farmacistas não conseguem sequer esconder o despeito na relação com os farmacêuticos. Imagino o dia em que vão propor que os farmacistas também possam assumir responsabilidade técnica pelas farmácias. Tenho que reconhecer a criatividade dos que inventaram a figura do farmacista tupiniquim. Até a Indústria Farmacêutica caiu como uma pateta nessa balela de farmacista.

Antes mesmo de terminar este artigo fiquei sabendo por um amigo, que no estado do Tocantins já existe um novo profissional de farmácia, o ''balcofarmacista''. Logo logo os donos de farmácia vão dizer aos farmacêuticos que eles devem ser ''balcofarmacêuticos''. A fonte criativa é mesmo impressionante e inesgotável.

Quem atende no balcão da farmácia? O Farmacêutico, os farmacistas e os rescém chegados balcofarmacistas. O atendimento no balcão requer conhecimentos específicos e treinamento. A única forma de adquirir os conhecimentos específicos para lidar com medicamentos é a formação em nível superior no curso de farmácia. Treinamento, segundo os educadores, siginifica o mesmo que adestramento ou condicionamento. Para treinar um funcionário na execução de uma determinada rotina e, para se tornar um farmacista, não é preciso que se tenha curso superior, um bom treinamento é suficiente.

A farmácia viveu seu auge quando servia a sociedade prestando serviços de saúde. O balcão era o local onde o farmacêutico atendia seus pacientes, ouvindo-lhes sobre seus problemas de saúde e lhes dispensando, além de medicamentos, atenção e cuidados. A industrialização em larga escala chegou pondo um fim a esse período. Fez com que se avolumassem os estoques exigindo um escoamento rápido dos produtos. Para vialibilizar este processo foi preciso afastar o farmacêutico da farmácia por ser considerado um empecilho as vendas, e começaram a se adestrar vendedores hábeis em convencer os clientes sobre a necessidade ''imprescindível'' de usar medicamentos. A lógica deste adestramento foi ditada pela obtenção de lucro fácil e rápido. Neste exato momento nascem no Brasil a Lei 5991/73, a Drogaria e os Farmacistas.

Este processo banalizou o medicamento perante a sociedade a tal ponto que a cada duas pessoas que usam medicamentos uma usa de forma errada.

O uso irracional e os medicamentos falsificados matam usuários no Brasil. A população paga um alto preço. Em virtude disto o modelo do lucro fácil começa a ruir. O Farmacêutico volta a ocupar seu espaço nos balcões das farmácias e no contexto geral da saúde.

Se existe algum intruso no balcão da farmácia este não é o farmacêutico. O balcão continua a ser o local onde o farmacêutico atende seus pacientes ouvindo seus problemas de saúde e lhes dispensando além de medicamentos, atenção e cuidados. A sociedade quer que o farmacêutico e a farmácia reassumam sua função como profissional e estabelecimento voltados a lhe prestar serviços de saúde.

A única forma do farmacista tupiniquim se tornar farmacêutico é fazendo curso superior em farmácia. Façam isso e sejam bem-vindos.

Todos os profissionais que trabalham em uma farmácia têm sua importância, seu espaço e merecem ser respeitados. O Farmacêutico não esta acima de nenhum deles e como todos tem que ser respeitado.

Obs: Não tenho nada contra outros profissionais que atuam nas farmácias. Não falo isto como discurso mas como parte de meu exercício profissional .Também estou no balcão de uma farmácia. Este texto foi escrito no balcão de uma farmácia. Acredito que acima de qualquer título está a vontade e a determinação pessoal. Mas enquanto farmacêutico convicto, sempre que for necessário empunharei a caneta e levantarei a voz para defender os interesses da categoria que represento.

Farm. Danilo Caser - Presidente da Feifar.

Fonte: Blog de Danilo Caser - Conexão Sindical

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Instituto Butantan procura parceiros para pesquisas na Amazônia

Evento realizado na sede da Fiesp teve finalidade de atrair atenção do empresariado para questão ambiental

SÃO PAULO [ ABN NEWS ] - O Instituto Butantan expôs as oportunidades e as perspectivas para a indústria brasileira em participar da exploração da imensa biodiversidade da Amazônia para estudos de bioprospecção e desenvolvimento de novas substâncias farmacêuticas. O evento Perspectivas do Projeto Butantan - Amazônia para a Indústria Brasileira, realizado na semana passada na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), teve a finalidade de atrair a atenção do empresariado para a questão ambiental.

Pela manhã, foram apresentados produtos desenvolvidos pelo instituto, que há quatro anos faz pesquisas na Amazônia; e à tarde, houve exposição de experiências e parcerias do Butantan com empresários do setor farmacêutico. "É um projeto muito ambicioso em estágio adiantado que oferece um leque de oportunidades. A região tem alta incidência de animais peçonhentos e diversidade de biomas", destacou o diretor do Instituto Butantan, Otavio Azevedo Mercadante.

Na abertura da palestra, o presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp, Walter Lazzarini, afirmou que a falta de desenvolvimento competente e racional deu motivos para pensamentos como a "Amazônia é do mundo" e ideias "esdrúxulas" como a de se vender produtos da região para pagar a dívida externa, Por isso, disse ser importante e oportuna a discussão, a reflexão e ações para desenvolver a Amazônia.

Autonomia

Antes de falar da atuação do Butantan na Amazônia e dos projetos em andamento, Mercadante informou que desde a sua origem, há quase 110 anos, o instituto tem a tríplice missão: de produção imunobiológica, pesquisa e desenvolvimento e difusão cultural. Destacou que 90% das vacinas consumidas no Brasil são produzidas no instituto e a produção é crescente. Os soros respondem por mais de 60% da produção nacional.

O diretor também informou que orçamento do Butantan se compõe de investimento da Secretaria Estadual da Saúde, recursos da Fapesp e outras agências, da Finep, do Ministério da Saúde (venda de vacinas e soros) e fundos de apoio à pesquisa como o BNDES/Funcet. Disse que há entraves nas parcerias público-privadas por conta de propriedade industrial e patente.

Ele ainda adiantou que há um decreto de aplicação da lei de inovação paulista que, se aprovado, dará autonomia ao Butantan para fazer licenciamento e operações referentes a royalties decorrentes de patentes. Mercadante acrescentou que o Butantan não pode dispor de titularidade, embora tenha várias patentes que entram como Fundação Butantan.

O instituto

Sobre o projeto Butantan-Amazônia, o diretor disse que o instituto investe na criação do Centro de Pesquisas de Belterra (PA), na formação de doutores para cuidar dos projetos de biodiversidade, na recuperação arquitetônica de chamada de Fordlândia (vila fundada pela Ford no século passado) e na informação à comunidade ribeirinha sobre os riscos de acidentes com animais peçonhentos, já que é a região do País com maior incidência.

A pesquisadora do laboratório de biofísica e bioquímica, Ana Maria Chudzinski, falou da criação de compostos para tratamento de problemas de coagulação sanguínea e dos desafios de transformar substâncias naturais em produtos de usos terapêuticos. As pesquisas (com taturanas, sanguessugas e carrapatos) são orientadas para a criação de anticoagulantes. As pesquisas já levaram à obtenção de cinco patentes.

Já a pesquisadora do Laboratório de Dor, Gisele Picolo, discursou sobre a procura de moléculas de origem natural com ação analgésica. "Por que buscar novos analgésicos? Estimativas mostram que 30% das pessoas sofrem de dor moderada ou aguda ou que todos sentirão dor em alguma fase da vida", assegura a pesquisadora. A maioria dos analgésicos é feita a partir de animais e plantas como é o caso da morfina (papoula) e da aspirina (salgueiro).

Novos remédios

Outras fontes potenciais para a fabricação de analgésico são as serpentes, escorpiões, aranhas peçonhentas e animais marinhos. Destacou que o exemplo mais promissor de analgésico feito no laboratório é a crotalfina. Desenvolvida a partir de venenos de serpente, já passou por testes clínicos no Brasil e agora serão feitos testes no exterior, sob a responsabilidade da empresa farmacêutica Achè, que comercializará o produto.

O diretor do Centro de Biotecnologia, Paulo Lee Ho, discorreu sobre o desenvolvimento de adjuvantes de vacinas. Substância que aumenta a resposta imune do organismo, o adjuvante necessita de menos antígeno (princípio ativo da vacina), o que reduz o preço do medicamento e aumenta a produtividade. Um dos exemplos de sucesso de uso de adjuvante é a vacina contra a coqueluche.

Osvaldo Brazil Esteves Sant`Ana, diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinas, ressaltou a importância da aproximação entre os pesquisadores e o setor privado. "Na Amazônia, há um manancial a ser desvendado e preciso para somar conhecimentos e trabalhar juntos". Ele disse que o modelo adequado seria uma combinação entre o setor acadêmico e o empreendedor.

Drogas

Mercadante completou mostrando a diferença entre os dois setores. O desafio é conciliar o fato de que "as empresas buscam resultados imediatos. E os cientistas seguem sua vocação de alargar a fronteira do conhecimento". Celso Monteiro Carvalho, vice-presidente da Fiesp, disse que é preciso "ter mais humildade para dialogar" ao conciliar os interesses do setor acadêmico com a indústria.

Fernando Perez, diretor-executivo da Recepta biofarma, relatou a experiência da empresa especializada no tratamento de câncer. A doença é a segunda causa de morte no Brasil e aumenta de acordo com a longevidade da população, enquanto os custos do tratamento são altos porque os remédios são importados. "Drogas para tratar o câncer terão o maior faturamento do mundo", prevê.

A Recepta tem parceria com o Butantan, com a Faculdade de Medicina da USP e outras instituições e é uma das poucas a fazer testes clínicos e licenciamentos. Ao discorrer sobre a relação entre a indústria farmacêutica e as pesquisas, disse que projetos de biotecnologia "ainda assustam o empresário", porque envolve altos investimentos e há elementos de riscos.

Cientistas nativos

José Walter da Silva Jr, da Ourofino Agronegócios, disse que 29% dos produtos da empresa são de origem biológica (vacinas e soros) e daí a cooperação tecnológica com o Instituto Butantan. A parceria envolve criação de vacinas veterinárias em conjunto, transferência de tecnologia e formação/qualificação e treinamento de pessoal qualificado.

Silva Jr. reforça que a velocidade e as necessidades do mercado são bem diferentes daquelas existentes na academia, mas o "cenário é positivo e vem melhorando. Acredito que é o caminho para outras empresas seguirem mesmo com as incertezas inerentes ao produto em desenvolvimento", destacou.

Marcio de Paula, da Biolab Farmacêutica, destacou os benefícios da inovação farmacêutica em relação às terapias antigas. A empresa tem parceria com universidades e centros de pesquisas em projetos de tratamento da dor, reparação tecidual e câncer.

Spartaco Astolfi Filho, professor da Universidade Federal da Amazônia e assessor científico da Cristália Produtos Químicos Farmacêuticas, falou da falta de profissional qualificado e de cientistas da região Norte do País. Convidou o Butantan a participar da Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal (Rede Bionorte), que criará cursos de pós-graduação na área científica de biodiversidade e biotecnologia nos nove Estados que participam da Amazônia Legal. Mercadante mostrou interesse já que o projeto na Amazônia inclui a formação de cientistas nativos.

Fonte: Agência Brasileira de Notícias - ABN

domingo, 18 de abril de 2010

Justiça suspende liminar de farmácias

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) suspendeu a liminar da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) e da Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativas de Farmácias) que permitia a venda de remédios nas prateleiras e da comercialização de outros produtos. A decisão foi tomada na segunda-feira e publicada anteontem no Diário Oficial da União.

A RDC (Resolução da Diretoria Colegiada) 44 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), publicada em 2009, entrou em vigor em 18 de fevereiro. A medida determina que os medicamentos fiquem atrás do balcão das farmácias e que apenas produtos ligados à Saúde sejam vendidos nos estabelecimentos.

Para o diretor seccional do Conselho Regional de Farmácias de Santo André, Marcos Machado Ferreira, a decisão do STJ foi uma vitória. "A resolução não tem intuito de atrapalhar a farmácia como empresa. O objetivo é garantir que a população receba orientação adequada na hora da compra do medicamento", explicou.

Ferreira acredita que o medo dos donos dos locais é de que a medida reflita no faturamento. "O estabelecimento não pode ser comparado a um comércio qualquer. Nele são vendidos medicamentos, que não podem ser comparados a outros produtos", ressaltou.

DECISÃO - Mesmo com a suspensão da liminar, farmácias vinculadas à ABCFarma (Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico), que possui decisão provisória em vigor, podem continuar a venda de medicamentos em gôndolas e de produtos que não se enquadram como farmacêuticos.

Em nota, a Abrafarma informou que nada muda por conta da liminar da ABCFarma, mas declarou que vai recorrer da decisão do STJ. "Estamos em ‘guerra''. A favor do livre direito de escolha de preços e produtos pelo consumidor, e do direito do cidadão brasileiro ter acesso a uma farmácia do mesmo nível que se encontra no Exterior", disse em nota, o presidente executivo da entidade, Sérgio Mena Barreto.

O presidente da Febrafar, Edison Tamascia, disse que entrará com recurso. "Temos até o dia 19 para contestar a decisão. Nossa principal reivindicação é manter o mix de produtos para compor a lucratividade", informou. Procurada, a ABCFarma não respondeu.

Estabelecimentos desafiam a lei mesmo com queda de recurso

Mesmo tendo sido derrubadas no início da semana, as liminares da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) e da Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas de Farmácias) no STJ (Superior Tribunal de Justiça), diversas farmácias da região, integrantes das entidades, continuam comercializando os remédios nas gôndolas e vendendo itens de conveniência, como barras de cereais.

Ontem, o Diário percorreu algumas delas na região e constatou que pelo menos três grandes redes de farmácias ainda disponibilizam os remédios para os clientes e vendem itens não relacionados à Saúde.

Em uma unidade da Drogaria São Paulo de São Caetano, a gerente disse que não havia sido informada sobre a queda da liminar.

A responsável pela Droga Raia da Avenida Dom Pedro II, em Santo André, assegurou que a liminar da Abrafarma não havia caído. No entanto, também citou que a rede faz parte da ABCFarma (Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico), que permanece com a liminar válida.

Na Drogaria Pacheco, no Centro de Santo André, os medicamentos estavam expostos em vitrines, embaixo do balcão, protegidos por vidro que impede o contato direto do cliente com os produtos.

VITRINES - Em três farmácias, das redes Drogaria São Paulo, Farmais visitadas também foi constatado o uso de uma espécie de vitrine, embaixo do balcão do farmacêutico, mas com os vidros abertos. Na SOS Farma, que não pertence à Abrafarma, nem à Febrafar, também foi constatado o uso do equipamento para expor os remédios. (Deborah Moreira)

Fonte: Diario do Grande ABC

terça-feira, 13 de abril de 2010

Novo iogurte previne câncer e doenças coronárias

Santo iogurte

Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) produziram um iogurte que previne doenças coronárias, câncer de intestino e cólon, além de diminuir os níveis de colesterol ruim (LDL), prisão de ventre e intolerância à lactose.

A bebida previne as doenças porque agrega, além de bactérias típicas dos iogurtes, três microrganismos que fazem bem a saúde.

Fonte de fibras

O novo iogurte tem textura e sabor parecidos com o do iogurte comum, necessita dos mesmos cuidados de armazenagem e custa 30% mais caro. Feito com leite desnatado, também é light e fonte de fibras.

"Não existe no mercado um leite fermentado com um coquetel de benefícios tão grandes", afirma o engenheiro agrônomo Ricardo Pinheiro, que desenvolveu o iogurte durante o seu duplo doutorado, feito na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP e na Universidade de Gênova (Itália).

Bactérias no iogurte

Iogurtes têm naturalmente as bactérias Streptococcus thermophilus e Lactobacillus bulgaricus, que, juntas, auxiliam quem tem prisão de ventre.

Algumas bebidas têm, além dessas, até duas bactérias que, quando administradas vivas e em quantidade adequada, conferem saúde as pessoas (probióticas).

O alimento produzido pela USP possui três bactérias probióticas além das comuns a todos iogurtes. Quando elas chegam ao intestino, tomam o espaço e alimento dos microrganismos indesejáveis que lá habitam e os eliminam.

Metabolismo complicado

Para a bebida fazer efeito, é necessário que todos as bactérias cheguem vivas ao intestino - e em uma concentração de 10 a 100 milhões de colônias de organismos por mililitro (ml) de produto.

Por isso, a maior dificuldade em fabricar o iogurte foi conseguir que, em um período de 35 dias, as bactérias não matassem umas às outras ao acidificar a bebida e competir por alimento.

"Manter a quantidade apropriada de bactérias é difícil", diz Pinheiro. "O metabolismo de uma bactéria pode prejudicar outra. As do gênero Bifidobacterium, por exemplo, produzem ácido acético, fatal para os lactobacilos."

Nutrientes

Para contornar essas dificuldades, Pinheiro estudou quais nutrientes cada bactéria necessitava e os produtos que excretava quando estavam sozinhas e em conjunto no leite.

Ele concluiu que a melhor solução era adicionar ao iogurte um açúcar chamado inulina, que é fonte de alimento para as bactérias e impede que algumas "morram de fome".

Outras soluções foram colocar na bebida quantidades maiores dos microrganismos mais frágeis e envolvê-los com uma goma que os impedia de serem danificadas pelo metabolismo dos outros.

Segundo o pesquisador, o resultado agrada. "O produto é funcional e bastante aceitável ao paladar. Ele é mais caro, porém o benefício que traz é maior."

O novo iogurte ainda precisa ser patenteada, para só depois começar a ser fabricado em escala industrial.

Fonte: Diario da Saude

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Concurso do Conselho Federal de Farmácia terá 216 vagas

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) realiza concurso público para preencher 216 postos de trabalho, dos quais 19 imediatos e o restante para formação de um cadastro reserva. As oportunidades são para os cargos de auxiliar administrativo, administrador, assessor jurídico, analista de sistema, auditor, bibliotecário, contador, farmacêutico, jornalista, programador, revisor de textos e secretária executiva trilíngue.

As vagas são para trabalhar no Rio de Janeiro e em outros estados, com salários que variam de R$ 920,57 a R$ 4.243,82. As inscrições poderão ser feitas, de 12 de abril a 31 de maio, pelo site www.quadrix.org.br. A taxa varia de R$ 30 a R$ 45. Veja AQUI o edital.

Fonte: Extra Online
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